Passei mais de um ano a tentar desligar-me de sentimentos e relações. Não só porque estava exausto mentalmente, mas também porque precisava de umas férias só para mim, de uma pausa e de um tempo sozinho. Forcei-me a essa pausa. A ter uns tempos de calma, sem stress e dramas. Bem precisava, depois de tudo. Não que houvesse algo que possa dizer que estivesse errado ou mal, mas tinha-me acomodado a ter alguém do outro lado, sempre pronto a apoiar-me em tudo. Decidi que estava na altura de ser o meu próprio apoio, de começar a sentir-me bem comigo mesmo primeiro, de pôr-me em primeiro lugar antes de outros. Fui bem sucedido. Desliguei-me de tal modo que só recentemente percebi algumas coisas que tinha guardado (demasiado tempo talvez) e esquecido. Pus-me em primeiro lugar e esqueci os outros. Arrependo-me por ter levado tanto tempo a sair do meu "mundo"? Não é que me arrependa, mas agora ficam sempre aqueles "se isto, se aquilo"... Aquelas dúvidas que surgem sempre que pensas como poderias ter feito algo diferente, tomado outro rumo. Mas não há retornos, portanto não vale de nada perder-me no que poderia ou não ser. Agora só posso concentrar-me no que poderá ser. Mas agora que, aparentemente, carreguei no botão on e voltei a mergulhar no mundo percebo que não há nada que possa fazer quanto às incertezas. Porque o problema não é tu não te conheceres. A dúvida está sempre nos outros. São (e eram) eles que me traziam as dúvidas e inseguranças e quanto a isso não há nada a fazer. Talvez resguardar-me mais e encontrar um equilíbrio entre "caring and not caring" seja uma opção. A merda é: eu sei como sou e como reajo às coisas e sei que assim que começo a importar-me é-me impossível parar de fazê-lo totalmente. Ou é ou não é. Comigo é sempre 8 ou 80. Durante o último ano isso foi bem perceptível para mim. Não encontro meio termo. Sou demasiado dado, talvez. Não que isso seja mau, mas para mim não é o melhor na maior parte das vezes.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Meio termo
Citando-me: For more than a year now I thought I could be this heartless son of a bitch. Turns out we can't change who we are. And neither can we change what the heart wants.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Indiferente? Nem tanto.
Desgostos e desilusões. Acho que são estes que te trazem até aqui. É a necessidade de levantar aqueles muros, de proteger-te dos outros e do mundo que te leva a querer desligar as emoções, a fugir da dor e ao mesmo tempo do bom que vem antes, quando tudo ainda está bem. Negas-te de afetos, deixas-te levar pelo medo do que pode vir depois. Já passaste tantas vezes pelo mesmo que pensas que estás preparado para a próxima vez. Mas não é bem assim, pois não? No início não dás por nada, só quando já não consegues escapar-lhes é que percebes o que aconteceu, o que está a acontecer... outra vez. Começam as dúvidas, as incertezas. Provavelmente um dos motivos para acabares sempre com o mesmo final. E, ao pensar nisto, lutas para desligar-te dos outros, com a esperança que não volte a repetir-se. O problema é quando chegas ao ponto em que estás tão desligado, em que a frieza é tanta e és tão indiferente a tudo... Muita coisa perde sentido. Deixas de ter interesses, a tua vida passa a uma monotonia insuportável. É inevitável voltar ao ponto de partida. Por mais horrível que seja pensar que poderás (com quase toda a certeza, diz-te o teu cérebro) ter que passar por tudo outra vez, o melhor e o pior, vais chegar a um ponto em que não consegues manter-te desligado. Porque, por mais indiferente que tentes e mostres ser, não há um botão on e off. Podes dizer as vezes que quiseres "Wtv! Fuck it!", mas lá no fundo sabes que não é assim. E é isso que às vezes acaba por magoar e frustrar-te também, sentires um total descontrolo nas tuas emoções quando mais precisas de te manter no controlo. Torna-se sempre uma montanha russa. Uma montanha russa cheia de adrenalina e bastante apelativa cada vez que dás por ti a entrar nela.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Desassossego
Dois anos. Faz este mês dois anos desde a última vez que escrevi algo. Alguém me lembrou deste meu hobby, passatempo que alguém me tinha incentivado a nunca deixar. Mas, parece ser a lei da vida, deixar cair as coisas em esquecimento. Parece também ser a lei da minha vida trazer-me sempre ao mesmo sítio. Escrevendo isto, sinto-me momentaneamente tranquilo sabendo que tudo passa, eventualmente tudo se esquece. E tudo o que sentes neste determinado momento, por mais doloroso que seja, é finito. Tudo tem um fim. O problema é o presente. Porque é no agora que estás a viver. Não são apenas memórias que te estão a magoar, a infligir este desassossego. São situações do agora, pelas quais estás a passar e a tentar ultrapassar que te preenchem mais uma vez o pensamento. Estás com os teus amigos, mas continuas preso no teu mundo. As tuas fracassadas tentativas para fugir à verdade, à realidade, são rapidamente deitadas abaixo por um simples acontecimento ou palavra. O teu eu está preso ali e não parece querer sair, por mais que tentes. "That's the thing about pain. It demands to be felt". Sim, não ultrapassas algo sem enfrentá-lo. O meu dilema está agora noutra questão: a razão deste sofrimento. Sei o que pode ser, parcialmente sei alguns dos seus motivos, são mais do que óbvios. Foram dois anos com alguns dos momentos mais marcantes da minha vida. Pensando em tudo o que a minha memória ainda me permite guardar e reviver, custa-me perceber que são os melhores e mais felizes momentos da minha vida que hoje deixam estas feridas abertas. Aguardo o dia em que não passem de mais umas cicatrizes.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Meeting fate again
Dás por ti
na mesma situação tantas vezes seguidas que tens de começar a perguntar a ti
próprio se o problema não será teu, não é? Quer dizer, coincidências a mais?
Nem o destino pode ter assim um humor de tão mau gosto.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Rambling
Já chegaste a um ponto na tua vida
onde, depois de tanta mentira e desilusão, não consegues confiar em ninguém,
nem mesmo em ti próprio? Quero dizer, com tanta bagagem que carregas, como é
suposto acreditar que alguém consegue ser melhor do que aquilo que tens
conhecido até então?
Privas-te de
sentimentos. Rezas para que o coração não te traia e te leve para o abismo
outra vez, o fall in love que acaba sempre em lágrimas. Porque
depois de tantas cicatrizes sabes que, eventualmente, no final dessa queda por amor vais acabar despenhado e destruído.
Mas conheces
alguém. Alguém que te faz sorrir, com quem gostas de estar, que parece diferente.
Começas a sentir a necessidade de estar com essa pessoa, de vê-la uma e outra
vez, de conversar horas e mais horas com ela. Cais e deixas-te cair.
“Porque não? Poderá
funcionar, poderá ser ela”,
pensas.
E funciona, sim.
Ela traz-te alegria! Todos os dias vais dormir com um sorriso, porque sabes que
tens alguém do outro lado e todos os dias tens um grande e incrível motivo para
te levantares.
O problema é que
precisas de mais e mais. Não por uma questão de egoísmo mas porque precisas de
provas em como ela é diferente, precisas de saber que podes confiar outra vez
em alguém, desta vez sem te magoar. Todos os dias. A necessidade de saber que
és tu e apenas tu que ela ama e com quem quer estar. Que és tu a sua
prioridade. E não acaba por ser essa a “função” de quem proclama o seu amor por
outra pessoa? Todos os dias mostrar que está lá, que és tu o seu número um.
Porque, se for para dar provas de amor de vez em quando, qualquer pessoa entra
na tua vida ou vice-versa e quando lhe der na cabeça “Aqui está uma prova
romântica!”. Isso é o que faço pela minha melhor amiga, pelos meus amigos: nem
sempre falamos, nem sempre fazemos coisas especiais ou sabemos tudo sobre a
vida de cada um, mas sabemos sempre que lá estão para ti e tu aqui para eles,
seja para o que for.
Sim, sou bastante
exigente. Demasiado, estupidamente exagerado. Mas quem me ama, ou aceita e
prova que quer aqui estar todos os dias, ou não tem outra opção senão seguir em
frente.
domingo, 8 de abril de 2012
How my mind works
Cansa. Sufoca. Corrói-me toda a pouca
paciência que tenho. Esta insuportável quantidade de merdas que me atormentam a
cabeça, em que me afundo sempre e quando não devo.
Pequenas e ultrapassadas memórias,
palavras insignificantes levam-me às criações mais bizarras e impossíveis. A minha
mente é uma autêntica máquina monstruosa capaz de criar as cenas mais imprevisíveis,
deprimentes e ilógicas que poderiam cruzar o pensamento de alguém.
Fá-lo constantemente, levando-me a um
nível de frustração extraordinário. O mais engraçado (não, nem lá perto) é que
quando me dou nessas situações não mexo
um dedo para impedir a minha mente de ir avante, pelo contrário, ainda a
alimento com mais doses de imaginação.
Scumbag
conscious and subconscious, é o apropriado a
dizer.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Words of a dying
Não suportava mais. Não
iria permitir-se suportar mais. Tinha sido dominado, como temia, por aquele
cansaço de espírito, de alma.
Era ainda tão novo,
tão poucos anos vividos, no entanto sentia-se um velho, no limite do seu tempo.
Tinha feito tudo o que era suposto um jovem fazer: obedecer aos pais,
rebelar-se, redimir-se, apaixonar-se, magoar, sentir-se traído e abandonado,
procurar algo para preencher o vazio que existia em si, ir em busca do seu
sonho, desiludir-se, resignar-se à vida que tinha. Apesar do que ainda podia
viver e concretizar, sentia-se estranhamente satisfeito e realizado com a sua
pequena vida.
Poderia considerar
os seus pais como “normais”, vindos, não de famílias extravagantes, ricas e
poderosas, de famílias simples e nobres. A sua relação com os irmãos espelhava
o que qualquer uma, dita normal entre irmãos, deveria ser: as discussões, as
atribuições de culpa, o sentido de responsabilidade pelos mais novos, o orgulho
pelos mais velhos. O seu companheiro, o seu amor, depois de tantos efémeros,
era tudo o que poderia pedir: apaixonado, feito de pequenos gestos
insignificantes, pensava seu amor, mas que para ele de banais pouco ou nada tinham. Preocupava-se (demasiado, por
vezes) consigo, com o seu bem-estar. Conseguia reconhecer o mais leve
sentimento de infelicidade ou simples desanimo nos seus olhos cinzentos,
escuros. Isso perturbava-o: não podia perder-se nos seus pensamentos mais
mórbidos sem que o seu companheiro percebesse que algo de errado se passava e o
inundasse com perguntas de preocupação, irritantes perguntas, que não o
deixavam caminhar pelo seu mundo em
paz.
“Não. Não mais.”
Disse para si. O cansaço que se apoderava dele, o cansaço que deteriorou toda a
felicidade que outrora sentira, perdida não sabe bem em que parte do tempo,
consumia-o. Consumiu-o completamente.
Não era um cansaço físico, ainda era novo, mas um cansaço psicológico, não, de
espírito. Era algo no seu ser que não o permitia mais viver entre o seu
companheiro, os seus pais, irmãos e amigos, algo que o amarrava ao seu mundo, que costumava visitar de vez em
quando.
Foi, absurdamente,
este seu devaneio periódico que o manteve são ao longo dos anos, mas que agora
ameaçava consumi-lo. Não suportava mais aquelas perguntas incomodativas do seu
companheiro, que nenhuma felicidade via nos seus olhos há tanto tempo.
“É tempo. Perdoem-me.”
O sentimento que aquela
preocupação, aquelas perguntas lhe transmitiam, ser-se desejado, amado, querido
por alguém, deixaram de ser suficientes. A sua família. Os seus amigos. As
possibilidades da vida, desta vida. Nada
mais era suficiente.
Levantou-se da sua
cama. Olhou-se uma última vez ao espelho: aquele novo pijama azul de flanela
era um contraste ridículo com o seu estado de espírito, como que de uma ironia
se tratasse. Os seus olhos cinzentos estavam secos, sem lágrima alguma
derramada ou prestes a sê-lo, mas o seu ser chorava pelos que deixava para
trás.
“Não compreenderão. Não têm como fazê-lo. Mas é tempo.”
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Killing thoughts
Aquele turbilhão de
pensamentos não parava de a incomodar. Todos os dias um novo cenário se formava
na sua mente, a sua imaginação cada vez voava mais alto, em jeito de compensação
do que sentia faltar na realidade. De cada vez que estavam juntos, ela não
conseguia deixar de pensar nos possíveis
sinais que ele lhe transmitia. Mas, nada acontecia. Tudo permanecia igual. O que
era aquilo? O que queria ele?
Os sinais, pensava,
estavam lá. Mas, alguns actos e palavras faziam cair por terra toda aquela
ideia, aquela fantasia, que ela havia construído em redor dos dois. Não tardavam
a ser esquecidos. Algo sempre puxava pela sua imaginação, pelo seu lado
optimista, tão difícil de encontrar em si.
Apenas as
visualizações que tinha na sua mente dos dois juntos, das suas conversas mais
íntimas, dos seus gestos mais carinhosos, faziam odiar-se a si própria,
perguntando-se pela razão do seu subconsciente a assombrar constantemente com
tais pensamentos.
– Há algo que não
compreendo. – disse-lhe, finalmente, um dia.
– O que é? –
respondeu ele, na sua voz forte mas, no entanto, doce aos ouvidos dela.
– O que somos?
– Não estou a
perceber onde queres chegar…
– Nós. Estes encontros,
estas conversas… – a sua voz tremeu – estes sinais que, por vezes, penso ver.
– Somos o que sempre
fomos, não? – perguntou, hesitante.
– E, o que é isso? – a impaciência parecia começar a
percorrê-la.
– Bem… precisamos
mesmo de pôr um rótulo? Quer dizer, qual a necessidade de dar um nome a isto?
– O futuro. É essa a necessidade. –
respondeu-lhe, agora, firmemente.
– Tens queixas do
presente? Relativamente a nós?
– Gostava de ter
certezas. Apenas isso… – a sua voz esmoreceu no fim.
Ele havia notado isso,
pelo que lhe respondeu – Não sei como nos rotular.
Gosto destes momentos, das nossas conversas. Eu mesmo me pergunto, às vezes, no
que poderá ou não dar, se poderá haver algo mais para além disto. Mas, prefiro
não saber. Prefiro descobrir com o tempo, sem aviso prévio.
Ela não sabia o que retorquir.
Era exactamente o contrário de si. Ela ansiava saber, preferia a verdade crua à
ilusão. Assim, poderia prevenir-se. Mas, ele não.
Então, reparou
noutra coisa: ele não tinha respondido negativamente. Não lhe tinha dado
qualquer certeza, mas também não tinha roubado toda a esperança. Esperança… uma
sensação de calma percorreu todo o seu corpo e alma, e um sorriso esboçou-se no
seu íntimo.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Ecstasy
Lembras-te? Lembras-te
da última vez em que sentiste o êxtase de alegria? Lembras-te de quando foram
os teus últimos momentos de pura felicidade? De quando não tinhas qualquer
preocupação ou, porque a felicidade era tão exuberante, as tuas preocupações
pareciam insignificantes?
Quando foi que a
deixaste escapar? Quem ta roubou? O que ta roubou? E, quando é que abriste os
olhos e viste que a tinhas esquecido no passado?
Agora, que olhas
para trás e revives pelas tuas memórias tantos daqueles momentos, sentes-te um
pouco idiota por outrora pensar que aquilo
não era felicidade, aquilo não era o
melhor que poderias ter. E se, por mero e mísero acaso, foi? Porque, o que
sentes agora é que, a vida te consome, todos os dias um bocadinho mais, e em
moeda alguma te paga. Todos os dias rouba-te um pouco mais do que já não sentes
ter.
O ideal de
felicidade que esperavas que chegasse um dia é, provavelmente, passado. Mas,
por tão focado que te manténs no futuro, deixaste-o escapar sem saborear, como
quem come a correr e mal mastiga, privando-se quase do verdadeiro sabor da
comida que é, afinal, o autêntico prazer.
Resta-te, então, a
vida. Oferecer, dia-a-dia, mais de ti. Cansar-te. Gastar-te. Viver para
morrer. Isto quando te esqueces de andar e saborear em vez de correr. E, só
depois de o momento passar é que a epifania se dá. Tarde demais, sempre.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Nothing here for me
Nada mais me prende aqui.
Preciso de partir,
de conhecer novos lugares, novas pessoas e novas ideias.
Mas, e depois? Qual o
intuito de partir se, uma vez chegado ao novo
lugar, tudo se tornará familiar? Devo tornar a minha vida numa constante de
partidas até conhecer um local que me agrade o suficiente? Mas, o problema não são
as pessoas? Os seus preconceitos, os repetidos julgamentos? Não são elas que
tornam o local inabitável, que nos compelem a partir? Não serão as desilusões,
discussões e zangas que nos levam ao limite da exaustação, da paciência?
Se assim for, o
problema está em todo o lado. Para onde quer que vá, terei de lidar com alguém
que me impelirá a querer partir. A resposta é, então, virar as costas? Confesso
que, com o decorrer do tempo, se vai tornando a minha (única) solução. Porque, sinceramente, o cansaço começa a
pesar e a roubar-me toda a vontade de enfrentar qualquer problema que tenha de
enfrentar aqui.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
No lights in the city.
A cidade sufoca-me. O
ar torna-se mais irrespirável do que é habitual.
Os dias repetem-se,
as semanas são sempre iguais. As noites são frias e chuvosas, o ar sempre
poluído. A rotina asfixia todo o meu ser. Os mesmos locais, as mesmas pessoas,
as mesmas palavras e acções aborrecem-me.
O estado de fadiga é
tal que força nenhuma resta para partir. Resigno-me ao enclausuramento do meu
quarto. E, por vezes, é o que me basta, o silêncio daquele espaço vazio, porque
nem uma doce palavra possui a capacidade de me consolar.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Emptiness
Já lutei, já chorei,
já sorri por ti. Tudo a teu lado, a maior parte do tempo. Sabia que,
quando afastado de ti, pouco teria de
esperar para te ter de novo nos meus braços. Isso reconfortava-me em todos os
momentos solitários.
Agora o tempo passa
e os meus braços permanecem vazios, sós. Ninguém os preenche. Nada o consegue.
O meu consciente berra-me este vazio aos ouvidos. Perturba-me.
No entanto, já me é
algo tão natural, quase indiferente. Caminhamos lado a lado a tempo inteiro que
me esqueço, por vezes, que lá (não) está.
O que mais incomoda
é o impasse, o não saber ou, quiçá pior, o saber que algo pode ser feito, mas que
não resta energia suficiente para reagir. Isto corrói, destrói, mata.
Perco-me no tempo a
pensar, a torturar-me mais um pouco com possíveis, mas apenas imaginárias, situações
futuras. Uma das minhas características mais distorcidas, um auto-martírio
infligido por pensamentos absurdos sobre acontecimentos improváveis.
As palavras
esgotam-se, as opções aparentam ser todas nefastas. Pouco consigo dizer, ou
escrever, e quase nada fazer.
Morro por dentro a
cada dia, e já nenhuma importância lhe dou. O cansaço leva-me a ficar sentado, à espera. De quê? De nada, talvez. Nem sempre
esperar é alcançar.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Dialogue
–
Pára de esconder.
–
O quê?
–
O que tens vindo a esconder.
–
Não estou a esconder nada!
Os
seus olhos estavam muito sérios. Mas depressa se adoçaram com o olhar perplexo
da rapariga.
–
Estás a fazer aquilo de novo…
–
O quê? – perguntou ele, soltando uma leve gargalhada.
–
A fazer esse olhar…e esse sorriso.
–
Sabes o efeito que sempre causaste em mim.
–
Sei. Sempre soube.
–
Mas continuas a esconder…
–
O quê?!
–
O que sentes. O que sempre sentiste.
–
Arrependo-me todos os dias…deverias saber.
–
Não tive outra opção a não ser seguir em frente…
A
cara dela ia se tornando cada vez mais triste. Com as lágrimas já nos olhos, suspirou
– Eu nunca te larguei. Nunca te deixei partir de verdade.
Ele
manteve-se calado. O seu sorriso foi se apagando com as palavras da rapariga e
os seus olhos tornaram-se amargurados.
Ela
insistiu uma última vez – É demasiado tarde, não é? – uma lágrima derramou pela
sua face.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Loser game
Os trunfos
terminaram.
Andava, novamente, viciado
naquele jogo infernal há meses e só tinha obtido um resultado, a derrota. A primeira
era, claro, inevitável. Já sabia o que esperar quando entrara no jogo, apesar
de haver um pouco de esperança de que a sorte sorrisse. Completa e absurdamente
errado.
O simples pensamento
de voltar a outro jogo era insuportável. Mas as regras parecem ter mudado
inesperadamente. O jogo ficou de alguma forma apelativo, e, apesar de estupidamente
iludido, estaria a jogar mais depressa do que esperara. Mas o maior erro de
todos foi cometido, erro esse que já deveria ser bem mais do que tido em conta
pelas tão repetidas derrotas com base nele, a plena e cega confiança no fado. O
trunfo que pensara ter perdeu-se no caminho. O jogo estava perdido.
Agora nada resta
para jogar, além da fé de que as regras mudem o suficiente para apelar a nova
aposta. Ou que a vontade algum dia renasça.
domingo, 11 de setembro de 2011
Secrets
Segredos.
Todos nós os temos. E cada um é guardado com todo o cuidado, seja pelo medo das
consequências caso este corra pelas bocas do mundo, ou pela vergonha e embaraço
que ele nos possa trazer se os nossos amigos o descobrirem, ou pelo descontrolo
que os rumores tendem a tomar, pois todos sabemos que o ditado “quem conta um conto acrescenta um ponto”
tem algum fundamento. Seja qual for a razão, mantemos certas coisas apenas para
nós, pois, por vezes, o simples pensamento do segredo se tornar
público, e passar de segredo a conhecimento comum, nos assusta terrivelmente
porque, por inúmeras situações que ocorram na nossa mente, é sempre a reacção
mais inesperada que temos de confrontar na realidade.
E
quem é que não tende a pensar que o inesperado é usualmente algo negativo?
Por
este motivo guardamo-los para nós, tentando proteger-nos e pensando que algumas
verdades inconvenientes devem ser guardadas e substituídas por mentiras um
pouco mais convenientes, forçando-nos a acreditar que é o melhor para todos os
envolvidos.
Talvez
este pensamento seja apenas mais uma mentira, que contamos a nós próprios para podermos
aliviar o fardo de carregar aquele segredo. Mas todos conhecemos o outro
ditado, certo? “A verdade vem sempre ao
de cima”? Quiçá o segredo se mantenha sempre assim, segredo, se não o confiarmos a alguém. Mas alguns são demasiado penosos
para os carregarmos sozinhos e, é então que, entra mais alguém, um confidente,
um amigo que nos ouve e aconselha. O problema é que este passa a ter um segredo
que, contudo, nos pertence, mas que lhe largámos nas mãos, por vezes quase como
uma bomba. Aqui começa a grande prova, a da confiança. E quando o outro falha
em concretizar a prova com sucesso, e deixa a bomba explodir, vemos o nosso
segredo voar rapidamente pelo povo.
É
então que as consequências que tentámos evitar ao guardar o tal segredo nos
caiem em cima. E com uma força tremendamente duplicada. O pequenino inconveniente
dos segredos é que, quando descobertos, raramente o são pela pessoa mais
indicada, causando estragos bem maiores do que os esperados.
Esforçamo-nos
tanto para manter a realidade inconveniente fora da vista dos que nos rodeiam com
que objectivo? Não serão os mais chegados, os que confiam em nós, dignos de
saber toda a verdade sobre quem somos? Afinal, de que serve deixá-los acreditar
em algo que não é verdade só para gostarem do que não é mais que uma ilusão? O objectivo
não é gostarem pelo que somos?
Os
segredos, quando guardados pelas razões menos certas, e escondidos das pessoas
que mais direito teriam a sabê-los, tendem a estragar ligações quando
descobertos.
A
grande questão com os segredos reside aqui: há verdades capazes de despedaçar
mais do que uma ligação entre pessoas, verdades demasiado horríveis para serem
partilhadas de livre ânimo. A dúvida então coloca-se, somos suficientemente aptos
para decidir o que deve ou não ser contado? Razoáveis ao ponto de escolher se a
verdade deve ou não manter-se escondida, tendo noção de quão gravemente
qualquer das decisões pode afectar os envolvidos?
quarta-feira, 22 de junho de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
16.05.11
Desculpa o ímpeto, não resisti. Só nos queria ver bem, felizes.
Confesso, mais uma vez, não me arrepender das escolhas que fiz, foram elas que me trouxeram até aqui.
Espero-te, ansiosamente, todos os dias.
Até amanhã.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Us, again.
Cansei de esperar por sinais, pela evaporação das dúvidas que me atormentavam. Cansei da luta diária que tinha comigo quando queria enviar uma simples mensagem com um adoro-te, mas o medo me impedia.
O receio de perder isto em breve deixou-me incapaz de responder com um sim, as tuas dúvidas tinham-se tornado as minhas e, é facto, apenas a ideia de depositar a minha confiança em ti assustava-me.
O meu pedido deixou bem claro o que quero. E não vou esperar mais uma vez, vou lutar por manter o que temos enquanto for capaz.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Missing u(s)
Sinto saudades. Saudades completamente irracionais de coisas sem importância. As discussões, amuos, provocações, as parvoíces, os abraços, as lágrimas, as piadas, os sorrisos. Coisas sem qualquer importância. Coisas nossas.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Bitter-sweet
Sabes o que não é justo? Entrares e saíres da minha vida como se nada fosse. Nunca te pedi nada, muito menos palavras e gestos doces, cativantes, afectuosos. Destabilizaste tudo. Viraste tudo avesso, viraste as costas e deixaste-me afundar. Roubaste-me todas as palavras, roubaste-me tempo, sentimentos e emoções. Deste-me uma rotina, fizeste-me querer, desejar, fizeste-me pensar que também precisava daquilo. Deste-me dúvidas, ansiedade, desespero, trouxeste o medo de volta. Envenenaste tudo. E, mais uma vez, tenho de me recompor, recuperar o equilíbrio que tinha antes de invadires a minha vida. Tenho de fingir que não me importo, que me é indiferente, que sou superior, que ultrapassei tudo num abrir e fechar de olhos. Vou ter de sorrir, mostrar-me contente, falar alegremente, usar de novo esta máscara.
Mas agradeço-te. Por breves momentos pude apreciar um leve cheirinho do que é sentir.
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